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Desde 1 de Janeiro de 2008.

iamcarmen

Desde 1 de Janeiro de 2008.

Vingança - Capitulo 3

por iamcarmen, em 17.10.14

3º Capitulo

Fumava tranquilamente o seu cigarro na varanda do andar do seu local de trabalho, o dia ameaçava ficar mais frio e logo as chuvas dominariam os céus. Odiava tempestades, simplesmente ficara com aquele temor desde á três anos atrás. Recordou o dia em que estava, suspirou pesadamente e olhou para os outros seus colegas que trabalham na sua missão, regressou da varanda.

- Se precisarem de mim, telefonem. – anunciou antes de entrar no elevador

- Onde vais? – ainda ouviu Thomas questionar mas não lhe deu uma resposta.

Estacionou o seu Audi desportivo branco á porta daquele cemitério, um arrepio voltou a lhe percorrer as costas, saiu do carro e trancou-o. Foi junto da pequena barraquinha de flores que ali estava á entrada do cemitério

- Boa tarde. – a senhora de cabelos grisalhos falou simpaticamente – Que vai querer? – olhava as várias flores que compunham os expositores da barraquinha.

- Tem tulipas? – Tom perguntou

- Sim. Apenas brancas. – a mulher apressou a lhe responder

- Exactamente essa cor que desejo. – falou com um tímido sorriso – Quero apenas uma, por favor. – a senhora assentiu e foi buscar a flor. Recebeu a tulipa branca, pagou-a e entrou no cemitério; caminhou por entre os estreitos caminhos calcetados daquele sitio, deixou os caminhos e passou a andar sobre a relva cuidada até chegar onde queria, continuava ali uma arvore bastante bonita e sempre com folha, sorriu de novo e acocorou-se junto de uma pedra preta com letras a dourado. “Aria Näzir”

- Parece que tomei mesmo este habito nestes três anos. – Tom murmurou – Sinceramente não me recordava do dia de hoje quando acordei. – suspirou e olhou em frente, não havia ninguém por ali mas o rapaz não se sentia só naquele local, talvez fosse habito de trabalho mas Tom tinha a estranha sensação que havia mais alguém por perto. – Mesmo estando num mês primaveril o tempo está…mau. – comentou enquanto ouvia uns vagos trovões ao longe. Olhou com atenção a pedra negra e até á data não compreendia porque a família de Aria não colocara uma foto da rapariga; Aria tinha os cabelos curtos, loiro escuro, olhos de um verde brilhantes, lábios carnudos, sempre de sorriso nos lábios e pronta para aventuras e missões perigosas; Tom conseguia recordar a sua melhor amiga e primeira colega de trabalho com todo o detalhe, mesmo passados três anos desde o desaparecimento dela em alto mar – Ás vezes gostava que estivesses viva, girl. – falou para a pedra negra – Tirando o meu próprio irmão, não consigo confiar tanto como confiei em ti, Aria. A única melhor amiga que tive. – colocou a tulipa branca sobre a pedra, sabia o quanto a sua amiga e colega amava aquela flor. Elevou-se, fechou brevemente os olhos quando uma brisa se notou mais forte e foi embora dali.

O seu telemóvel começou a tocar, atendeu a chamada.

- Fala colega! – respondeu a Thomas – Sim, não me demoro. – parou de caminhar e desligou a chamada, reconheceu aquele rapaz de cabelos curtos e loiro escuro. Nathan…o irmão mais novo de Aria, era a primeira vez desde que o rapaz lhe havia dado o tal murro na homenagem á irmã que Tom o encontrava. O rapaz abrandou o ritmo do seu caminhar e encarou o tipo de cabelo entrançado olhos nos olhos. Ainda pensou em cumprimentar Nathan, mas este desviou o olhar e voltou a caminhar de modo rápido, mais agora…notavelmente para se afastar de Tom. Rendido saiu do cemitério.

+++

Estava determinado a se ir deitar quando ouviu a porta do apartamento, olhou para a porta da sala e logo Tom surgiu.

- Bem que desses-te que voltavas tarde. – falou – São 22h da noite

- Cheguei uma hora atrasado ao trabalho e Miss Kraft obrigou-me a ficar até o fecho oficial do departamento. – sorriu

- Começo seriamente a achar que tu e a tua chefe não tem apenas uma desavença, Tom. – Bill falou

- Dormimos juntos um dia antes de nos conhecermos oficialmente. – o outro informou e Bill empalideceu – Claro que eu não sabia quem era ela e ela não sabia quem era eu. – riu-se e sentou-se ao lado do seu irmão gémeo – A mulher ficou possessa e decidiu implicar comigo todos os santos dias da semana. Mas ela comigo não se pode firmar pois sabe que eu arrumo-a de imediato. Portanto…é uma cena para eu me divertir nestas discussões e frente-a-frente. Vou jantar. – anunciou então e saiu do sofá

- Eu vou dormir. Até amanhã. – Bill anunciou, o outro acenou e seguiu caminho para a cozinha.

+++

Provavelmente havia se deitado á horas mas agora é que os pesadelos o tomavam, deu voltas pela cama mas não despertava daquele pesadelo. O mar estava agitado, bem violento, o barco era puxado cada vez mais depressa para o fundo, os gritos dos que haviam sobrevivido á explosão e o choro aterrorizado contracenavam com os trovões que pareciam rasgar o céu negro acima do mar, ele continuava a correr pelo apertado corredor, a água arrastava tudo o que conseguia consigo, ele embatia em variadas coisas, chamava pela sua colega, começava a ficar em pânico…Aria não lhe respondia…os relâmpagos iluminavam o céu negro, o barco parecia ser sugado para o fundo do mar, Tom saiu do corredor, nadou o que conseguiu. «Porque me abandonas-te?»… Aria falava-lhe ao ouvido, a sua voz naturalmente calma e o calor das suas palavras…«Porquê Tom? Julguei que me querias salvar. Abandonaste-me.»…Aria…«Eu esperei por ti, o frio dominava-me mas eu estava viva á tua espera. Abandonaste-me Tom!»

- Não! – gritou ao despertar do pesadelo. Estava a transpirar, lá fora um trovão assustou-o e Tom saiu rapidamente da sua cama, abriu as cortinas e viu como a chuva fustigava as ruas da cidade. – Porquê isto de novo? – murmurou para si. Tinha levado meses até deixar de ter aqueles aterrorizantes pesadelos, Tom chegara a preferir ficar desarmado e em frente a uma arma de um criminoso do que ter aqueles pesadelos de novo, não conseguia deixar de se sentir culpado; depois os pesadelos começaram a sumir e ele voltara a dormir uma noite completa…então porque três anos depois os pesadelos regressavam?

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